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Fala, pessoal! Aqui é o Thiago Oliveira, fundador da Escola Disciplina Dog.
Desde que comecei minha jornada no adestramento em 2009, um dos desafios mais complexos e delicados que enfrentei foi lidar com cães que apresentam uma forte aversão — ou, como muitos chamam, uma verdadeira ogeriza a pessoas em cães. Não há nada mais angustiante para um tutor do que ter um cachorro que se esconde, rosna ou tenta morder quem chega perto.
Muitas vezes, as pessoas olham para um cão reativo e pensam: “ele é bravo” ou “ele é ruim”. Mas, como ex-estudante de Direito e apaixonado pela psicologia canina, eu te garanto: nenhum cão nasce odiando seres humanos. Existe sempre uma causa, seja ela genética, ambiental ou traumática. Entender a ogeriza a pessoas em cães é o primeiro passo para transformar o medo em confiança.
Se você sente que seu cachorro tem esse problema, saiba que você não está sozinho. Na Escola Disciplina Dog, recebemos muitos casos de cães que, por diversos motivos, perderam a capacidade de ver o ser humano como um parceiro. Vamos explorar os pilares que constroem essa barreira emocional.

A causa número um da ogeriza a pessoas em cães é a falta de socialização adequada entre a 3ª e a 12ª semana de vida. Esse é o período em que o cérebro do filhote funciona como uma esponja, absorvendo o que é “seguro” e o que é “perigoso” no mundo.
Se um filhote não tem contato positivo com diferentes tipos de pessoas (homens, mulheres, crianças, pessoas usando chapéus, uniformes, etc.) nesse período, o cérebro dele assume, por instinto de sobrevivência, que o desconhecido é uma ameaça.
Dica do Thiago: Muitos tutores, por medo de doenças antes da vacinação completa, isolam o cão totalmente. Isso é um erro clássico que gera a ogeriza a pessoas em cães. Você pode e deve socializar seu filhote em ambientes controlados e seguros, sem colocá-lo no chão da rua.
Um único evento negativo pode marcar a vida de um cão para sempre. A ogeriza a pessoas em cães muitas vezes nasce de um trauma específico:
Cães têm o que chamamos de aprendizado de evento único. Se algo foi aterrorizante o suficiente, o cão pode generalizar aquele medo para todas as pessoas que se pareçam com quem causou o trauma. Se foi um homem de barba que o assustou, ele pode desenvolver ogeriza a pessoas que usem barba.
Não podemos ignorar a biologia. Alguns cães já nascem com uma predisposição genética à timidez ou à reatividade. Se os pais do seu cão apresentavam ogeriza a pessoas em cães, as chances de ele herdar esse temperamento são altas.
Na Escola Disciplina Dog, trabalhamos com muitos cães de raças que são naturalmente mais reservadas com estranhos, como o Fila Brasileiro ou o Akita. Nesses casos, a ogeriza não é necessariamente um trauma, mas uma característica da raça que foi potencializada por falta de treino e liderança. Entender a genética do seu cão é fundamental para traçar um plano de adestramento realista.
Muitas vezes, o que parece ser ogeriza a pessoas em cães é, na verdade, uma resposta à dor física. Um cão com displasia coxofemoral, dor de ouvido ou problemas dentários pode rosnar quando alguém se aproxima por medo de ser tocado e sentir dor.
Destaque Importante: Se o seu cão desenvolveu essa aversão de forma repentina, o primeiro passo é levá-lo ao veterinário. Problemas de tireoide ou alterações neurológicas também podem causar picos de irritabilidade e medo. Como sempre digo aos meus alunos: corpo saudável gera mente saudável.
Muitas vezes, nós, tutores, alimentamos a ogeriza a pessoas em cães sem perceber. Imagine a cena: uma pessoa se aproxima, seu cão late por medo, e você o pega no colo, faz carinho e diz “está tudo bem, não precisa ter medo”.
No seu entendimento humano, você está confortando. No entendimento canino, você está dizendo: “Muito bem! É exatamente assim que você deve se comportar quando vir uma pessoa!”. Você está premiando o estado emocional de pânico. Na Escola Disciplina Dog, ensinamos que o conforto deve vir através da liderança e da calma, não da codependência emocional.
Reabilitar um cão reativo exige paciência, consistência e o uso de técnicas de adestramento positivo. Não tente “vencer” o cão na força; isso só aumentará a ogeriza dele.
Consiste em expor o cão à presença de pessoas em uma intensidade tão baixa que ele não reaja. Se ele late para alguém a 5 metros, comece o treino a 15 metros. O objetivo é que ele perceba a presença humana sem entrar em modo de defesa.
Queremos mudar a associação mental do cão. Pessoa = Medo? Queremos transformar em: Pessoa = Algo maravilhoso.
Sempre que uma pessoa aparecer na distância de segurança, ofereça um petisco de alto valor (frango, queijo, fígado). O cão começa a pensar: “Olha só, aquela pessoa apareceu e eu ganhei algo incrível!”. Com o tempo, a ogeriza a pessoas em cães dá lugar à expectativa positiva.
Lidar com a ogeriza a pessoas em cães envolve riscos. Se o seu cão tem potencial para morder, o uso da focinheira de cesta (basket muzzle) é obrigatório durante os treinos na rua.
Ao contrário do que muitos pensam, a focinheira não é um castigo. Ela é uma ferramenta de liberdade. Com ela, você fica calmo, o que transmite segurança para o cão, e evita acidentes graves. Na Escola Disciplina Dog, fazemos a adaptação da focinheira de forma positiva, associando-a a petiscos e diversão.
Enquanto o seu cão está em processo de reabilitação da ogeriza a pessoas em cães, você precisa gerenciar o ambiente:
Destaque: Forçar o contato (“terapia de choque”) é a maneira mais rápida de causar um ataque. O respeito ao espaço do cão é fundamental para a cura. 🛑
Para quem deseja se aprofundar na ciência do medo canino, recomendo os estudos da Dra. Sophia Yin e os recursos da International Association of Animal Behavior Consultants (IAABC). Eles são referência mundial em comportamento reativo.
Também vale a pena conferir o guia de bem-estar animal do American Kennel Club (AKC) sobre como lidar com cães tímidos e medrosos.
A ogeriza a pessoas em cães é um desafio, mas não é uma sentença definitiva. Vi muitos cães que chegaram à Escola Disciplina Dog em estado de pânico total e que, hoje, conseguem frequentar parques e receber visitas de forma equilibrada.
A chave é a liderança benevolente. O seu cão precisa sentir que você é capaz de protegê-lo, para que ele não sinta a necessidade de se proteger através da agressividade. Se você tiver paciência e seguir as técnicas corretas, verá que por trás de cada rosnado existe um cão que só quer se sentir seguro.
Assinado por: Thiago Oliveira
Fundador da Escola Disciplina Dog.
1. Castração ajuda a diminuir a ogeriza a pessoas em cães?
Nem sempre. Em casos de agressividade por medo, a castração pode, inclusive, piorar o quadro, pois reduz a testosterona, que em níveis adequados ajuda na autoconfiança do animal. Sempre consulte um especialista em comportamento antes de castrar por motivos comportamentais.
2. Quanto tempo leva para um cão perder o medo de pessoas?
Não existe um tempo exato. Depende da profundidade do trauma, da genética e da consistência do treino. Pode levar de alguns meses a anos. O objetivo é a melhora progressiva, não a perfeição imediata.
3. Posso usar broncas quando ele rosna para alguém?
Não! O rosnado é um aviso. Se você pune o rosnado, o cão aprende a não avisar e passa a morder diretamente. Agradeça pelo aviso e aumente a distância da pessoa.
4. Cães resgatados têm mais ogeriza a pessoas?
Muitos sim, devido ao histórico de negligência ou maus-tratos. No entanto, cães de abrigo costumam ser extremamente resilientes e respondem muito bem ao adestramento positivo.
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